Seja bem vindo se vier por bem!

----------------------------------------------------------------------------Breve do El Mano---------------------------------------------------------------- Seja bem vindo se vier por bem! Este é um pequeno Museu virtual que decidi criar no ínico de 2011, essencialmente dedicado á vida e á preservação da memória de Santo António. As peças que aqui irá visualizar são na sua grande maioria dedicadas ao seu culto e devoção. Desde há alguns anos que venho a juntar e a colecionar todo o tipo de peças e memórias sobre "Il Santo". Espero que seja do seu gosto caríssimo visitante, que aprecie tanto quanto eu esta sua visita e demore o tempo que desejar... Boa visita El Mano Del Tajo "Ars Longa, Vita Brevis!
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domingo, 11 de dezembro de 2011

Menino Jesus da Cartolinha...

Este fim de semana e como estamos no Natal vi numa dessas feiras de velharias esta pequena imagem souvenir do célebre menino jesus da cartolinha de Miranda do Douro que decidi adquirir...
Ficam aqui a história e as imagens da minha imagem :




O MENINO JESUS DA CARTOLINHA ©


Desde o final do século XVI, passando por todo o século XVII e até ao meio do século XVIII, toda a Europa viveu tempos difíceis de fome, peste e guerra.
Durante este período e, nestas condições, nasceram novas devoções e criaram-se novos mitos em volta de figuras e imagens de santos e até de pessoas por seus feitos valorosos.
O povo do Nordeste Transmontano e da região de Miranda do Douro não ficou alheio a estas manifestações religiosas. É preciso não esquecer que Miranda do Douro e seu termo viveram tempos difíceis durante todo o século XVII, mas mais acentuadamente entre 1640 e 1669 com a Guerra da Independência e depois no princípio do século XVIII entre 1706 e 1713 com a Guerra da Sucessão com a vizinha Espanha.
Estes tempos terríveis de fome, peste e guerra trouxeram o terror e com ele a projecção para o infinito em busca de auxílio que não se encontrava no mundo nem nas suas estruturas sociais, económicas ou militares.
Os testemunhos que encontramos em documentos escritos deste período dão-nos conta desses tempos difíceis que viveu a população do Planalto Mirandês. Lembramos só a peste de 1631 que vitimou um terço da população da cidade e região.
Mas durante o período de 1640 a 1668 não consta que a cidade de Miranda alguma vez fosse atacada pelo inimigo. Temos notícias de escaramuças junto à fronteira, mas a cidade nunca foi cercada pelo inimigo. Não tem fundamento a lenda que fala do Menino Jesus defendendo Miranda na Guerra da Independência.
A lenda vem do período de 1706 a 1713. Foi neste tempo, mais concretamente, em 1711 que o exército castelhano invadiu Miranda e a assolou durante vários meses.
Quando a cidade se encontrava invadida, saqueada e vexada pelos castelhanos e sem esperança de remissão, esperando o reforço das nossas tropas que nunca mais chegava, aparece nas muralhas um menino vestido de fidalgo cavaleiro chamando os mirandeses e gritando às armas contra os invasores. De todas as casas sai gente armada de foices, gadanhas, espingardas e varapaus para escorraçar os espanhóis.
A frente dos mirandeses o menino ora aparecia ora desaparecia, até que no fim da luta e depois da cidade libertada o menino não mais se viu.Procuraram-no por toda a parte, mas em vão. O pequeno "General" tinha desaparecido. Os mirandeses consideraram que se tratava de um autêntico milagre esta vitória contra os espanhóis e que foi sem dúvida um favor muito grande do Menino Jesus.
Mandaram então esculpir uma imagem do Menino Jesus vestido de fidalgo cavaleiro, à maneira do tempo e colocaram-no num altar da catedral.
Outra versão da lenda diz que o Menino Jesus foi encontrado na rua, chorando e alguém o recolheu na catedral.
Tem havido quem atribua esta lenda a um caso possível de amor frustrado de religiosa ou fidalga, filha segunda de nobre que vestia o Menino Jesus como idealizava o seu noivo: assim mesmo um fidalgo cavaleiro.
Mas em Miranda nunca existiu qualquer convento de congregação feminina. Havia, sim, alguns nobres de pouca importância social e económica e havia também militares de alta patente. É um caso possível como outros que existiram.
Mas analisando a escultura e atendendo aos poucos documentos que temos, somos levados a concluir que se trata de uma imagem mandada esculpirpelos mirandeses ou pelo próprio Cabido da Catedral em época de aflição. A imagem tem as características de uma escultura dos finais do século XVII ou mesmo do principio do século XVIII.
O Menino Jesus não aparece como um menino bebé ou mesmo adolescente, mas sim como um jovem já dos seus dezoito ou vinte anos. Aparece vestido de fidalgo Cavaleiro o que nos leva a afirmar que se trata de um Menino General protector da cidade de Miranda e suas gentes em tempos de guerra.
No tempo em que a imagem foi esculpida já tinha aparecido o célebre caso do Menino de Milhão que repica os sinos e aclama o Rei D. João IV, no dia primeiro de Dezembro de 1640.
Não era difícil para a gente do Planalto Mirandês ou para a gente do Nordeste Transmontano acreditar em um milagre, nestes tempos difíceis de fome, peste e guerra, e entre uma população fortemente enraizada nas manifestações e crenças religiosas.
Por isso não nos parece nada descabido que fosse o cabido ou qualquer pessoa de aceitação na cidade de Miranda que, a partir de um facto de guerra fomenta a devoção ao Menino Jesus "da Cartolinha".
Nos inventários da Fábrica da Sé Catedral de Miranda do Douro de 1722 e 1729 consta o arrolamento de todos os fatinhos que já naquele tempo vestia o Menino Cavaleiro. Eram fatos de cavaleiro, realmente e tinha-os de todas as cores da liturgia sagrada: o vermelho, o roxo, o verde, o branco, conforme os ciclos litúrgicos.
Esta imagem do Menino Jesus da Cartolinha consta, nos mesmos inventários, como uma imagem do Menino Jesus de Pé que serve para a procissão do Ano Novo e do Dia de Reis.
A imagem do Menino Jesus não tinha cartolinha, no século XVIII.
Temos que ver que a cartola aparece com a Revolução Industrial e usam-na pela primeira vez os Gentil-men ingleses, capitalistas e altos senhores burgueses, desde a primeira metade do século XIX.
Alguém se lembrou de colocar uma cartola na cabeça do Menino Jesus da Catedral de Miranda do Douro ou nos finais do século XIX ou nos princípios deste século XX. A imagem do Menino Jesus da Cartolinha aparece ainda no princípio deste século com um chapéu de palha à maneira dos meninos de Murillo ou de Ribera.
A cartolinha não foi mais que um acto de boa vontade de alguém que se lembrou de distinguir o Menino Jesus com este trajo de fidalguia.
A cartolinha é portanto um acrescento extemporâneo como a capa de honras e outros elementos que foram acrescentando à imagem. A devoção popular tudo faz. Quanta gente não tem oferecido ao Santo Menino meias, sapatos, camisinhas, chapéus e outras peças de vestuário. É o sinal do carinho que as pessoas mostram ao Menino Jesus da Catedral.
Muitas e muitas pessoas vêm de propósito a Miranda do Douro para ver e rezar ao Menino Jesus da Cartolinha.
Os nossos vizinhos espanhóis também têm devoção ao Menino Jesus da Cartolinha. Há ainda pouco tempo o abade de uma das confrarias de Zamora nos veio pedir a medida da imagem para fazer "un capuchon" e o respectivo fato com a intenção que o Menino Jesus ficasse adstrito a essa Confraria.
Imagem e mito de ontem, devoção de sempre, este Menino General, cavaleiro protector da cidade e das populações do Planalto Mirandês é a principal atracção dos visitantes da catedral. Chegam e não lhes interessa o grandioso retábulo do altar mor. Vão directos ao altar do Santo Menino para contemplar a sua imagem, ver os fatinhos e brincar em sentimental afecto de devoção e carinho.
A festa do Menino Jesus da Cartolinha celebra-se no dia de Reis, Domingo antes ou depois do dia 6 de Janeiro. Como é padroeiro das crianças o andor é transportado aos ombros por quatro meninos que se revezam ao longo da procissão.
Com a restauração da Festa do Menino Jesus da Cartolinha voltou-se assim, louvavelmente aos tempos dos princípios do século XVIII e restaurou--se a devoção da cidade de Miranda do Douro ao seu Menino que é também Menino Universal.




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Mourinho, António Rodrigues in "A CATEDRAL DE MIRANDA DO DOURO"


Foto da imagem original no seu oratório com os célebres fatos...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

O militar...postal

Este outro postal retrata outra famosa imagem que já aqui citei e que acompanhou o regimento de Infantaria 19 de Cascais pela guerra peninsular. Esta imagem encontra-se no Museu Militar do Buçaco na capela de Nossa Senhora da Vitória e esteve em tempos na cidadela de Cascais. Pode-se verificar na foto a medalha que recebeu por serviços prestados no conflito, atribuída por Dº João VI. O postal têm ainda o carimbo branco do citado museu e no ser reverso uma breve resenha histórica das batalhas em que esteve presente...de sublinhar que a importância e influência desta imagem foi tal, que nas memórias do general francês Foy existe uma breve alusão ao poder da presença e influência desta imagem perante os soldados portugueses...


sexta-feira, 6 de maio de 2011

Buonaparte e Stª Helena...uma medalha

Falando em peças extra coleção este é mais uma delas. È uma medalha cunhada em 1840 do escultor A. Bovy alusiva á transladação dos restos mortais do Imperador Napoleão I da sua primeira tumba na ilha de Santa Helena que o acolheu no forçado exílio, para o mausoléu nos Inválidos em Paris. Onde ainda hoje se encontram. È uma bela medalha representando o imperador em um dos lados de perfil e do outro o local onde foi enterrado após a sua morte a aí descansou á sombra de duas árvores (Chorões).

Ficam mais uma vez as imagens...





Frente


Reverso


Quadro com a representação do Imperador trajando conforme na medalha...


O imperador exilado recorda a sua pátria...



Esta próxima medalha que adquiri é a ordem de Santa Helena, criada por Napoleão III como recompensa aos 405 000 soldados ainda vivos em 1857, que combateram outrora ao lado do seu tio Napoleão I durante as guerras napoleónicas de 1792 a 1815. De lembrar que existiram portugueses que combateram ao lado do Grand Armée na Legião Portuguesa e que foram igualmente agraciados com ela...
Esta ainda contêm a fita original, só gostaria de saber quem terá sido o bravo a quem teria sido atribuída...ficam as imagens







sexta-feira, 1 de abril de 2011

O patrono militar...um postal

Mais uma peça que acabei de juntar ao meu espólio. Este belo postal de 1950 retratando a imagem de Santo António com bastão e banda de oficial, existente na igreja com o mesmo nome com a invocação de padroeiro do regimento de Lagos, já foi por mim citada esta imagem e a referida igreja bem como o museu anexo numa das peregrinatio...


quinta-feira, 17 de março de 2011

Tenente-Coronel do Exército Português e Herói Condecorado da Guerra Peninsular...

Na capela de Nossa Senhora da Vitória da cidadela de Cascais venera-se uma imagem de Santo António, ostentando a Cruz de Ouro das Campanhas da Guerra Peninsular e um manto com o distintivo de granadeiro.
Não vá supor-se que se trata de fantasia de qualquer devoto que, saindo da vulgaridade, cumprisse promessa feita, adornando a imagem do Santo com insígnias militares lavradas em oiro fino.
Santo António tem um posto elevado no Exército Português. É tenente-coronel.
O glorioso taumaturgo nasceu em Lisboa aos 15 de Agosto de 1195.
Fernando de Bulhões - que viria a ser o grande Santo António - tinha sangue real e descendia duma nobre família de guerreiros. É certo que o Santo, entregue desde a mais tenra idade à vida religiosa, nunca pegara numa espada, nem sentira o peso duma armadura.
Portanto, quem poderia prever que o pacífico Santo António de Lisboa, após uma penosa existência de sacrifício, sempre metido numa piedosa humildade, a pregar aos ímpios a palavra de Deus, viria a ser um santo guerreiro como S. Tiago ou S. Jorge ?
Saiba-se, no entanto, que em 24 de Janeiro de 1688, um alvará de D.Pedro II dava Santo António como tendo assentado praça no 2º regimento de infantaria de Lagos.
Quinze anos depois, o Santo era promovido ao posto de capitão, como consta dos respectivos registos. A devoção dos soldados pelo glorioso taumaturgo era tão fervorosa, que nas casernas do quartel não havia caixa nem mochila que não tivesse a imagem de Santo António.
Este culto arreigou-se tão profundamente, que depressa chegou a Cascais, entrando no quartel de infantaria nº 19.
Santo António foi herói da Guerra Peninsular. Tendo acompanhado aquele regimento, tomou parte em todos os combates desde 1810 a 1814.
Dele nos fala o major Augusto Carlos de Sousa Escrivanis, governador da Praça de Cascais, nas « Investigações Históricas do Regimento de Infantaria nº 19».
Depois de descrever a acção do Santo na batalha do Buçaco, travada a 27 de Setembro de 1810, no assalto a Badajoz, nas batalhas da Vitória e em muitas outras, o major Escrivanis narra o projecto concebido pelos mais arrojados soldados francese de aprisionar Santo António. Os franceses conseguiram o seu objectivo, mas uma vez conhecida a prisão o regimento 19 de infantaria cai como se fosse uma avalancha monstruosa sobre os franceses. Momentos depois o prisioneiro era libertado. E a força poderosa que produziu tantos heroísmos dimanou, sem dúvida, de Santo António.
Conta ainda o mesmo ilustre oficial que, em dias de exercícios, o Santo era levado para o pote de água e, ao primeiro toque para formar o regimento, as praças bradavam : « Abona Santo António de Cascais ». Chovendo, não havia exercício, e o Santo era tirado da água e muito festejado.
Não há nisto sombra de irreverência. O culto do taumaturgo não saía diminuído destas usanças ingénuas. O certo é que, sem a imagem de Santo António, o regimento de infantaria nº 19 não teria levado tão longe a sua temeridade. Sentindo-se guiados e protegidos por tão prodigioso comandante, os soldados de Cascais sentiam-se capazes de enfrentar todos os perigos e desafiar a própria morte.
Após a Guerra Peninsular, quando se premiava os feitos dos mais denodados combatentes, Santo António não podia ficar esquecido. Além da honrosa condecoração da Cruz de Oiro nº5, comemorativa da campanha, foi promovido, por distinção ao posto de tenente-coronel.
A corte portuguesa encontrava-se, nessa altura, no Brasil, mas isso não impedia que Santo António obtivesse a sua justa promoção. Mesmo no Rio de Janeiro, o Príncipe Regente assinou o decreto que o elevou ao posto de tenente-coronel de infantaria.


in a revista "A Esfera de Agosto" de 1944

General Kaúlza de Arriaga


(A imagem que se venera na capela da cidadela de Cascais)

(condecoração semelhante á que foi atribuída á imagem acima apresentada)

domingo, 13 de março de 2011

Peregrinatio Antoniana...pelo Sul..."marchamos" até Lagos!!!!

Volto aqui a falar sobre o alistamento militar do nosso Santo. Desta por terras dos Algarves, mais precisamente na praça do regimento de Infantaria de Lagos. No Museu Municipal Drº Jose Formosinho, naquela localidade, anexo á Igreja de Santo António dos Militares ( ...dos militares...pois era pertença desse regimento e que tinha o dever de a manter). Podemos admirar a imagem (que vou aqui colocar) que serviu nesse regimento do qual era seu patrono, seguindo á semelhança de uma outra imagem, durante as campanhas da Guerra Peninsular os seus camaradas de armas, a mesma ostenta a banda de oficial e um bastão de comando. Essa imagem como já o referi encontra-se no Museu anexo á Igreja. Imagem esta com direito ao devido soldo de militar...

(imagem existente no Museu de Lagos com altar de campanha, banda de oficial e bastão de comando)


Contra os canhões, marchar, marchar...
E com a ajuda de Santo António não há que recuar!!!

BUMM!!!!


(resgisto azulejar da imagem do Santo que se venera na igreja do regimento)